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Maioria da bancada cearense é contra impeachment de Dilma

Se dependesse apenas dos deputados cearenses, Dilma Rousseff (PT) teria 2016 tranquilo no Congresso Nacional. Entre os 22 parlamentares do Ceará, apenas três dizem que votariam “sim” pelo impeachment da presidente caso a votação fosse hoje. Mais da metade da bancada, 12, diz ser contrária à ação.

A informação foi levantada pelo O POVO em entrevistas com os parlamentares do Estado. Apenas três - Cabo Sabino (PR), Danilo Forte (PSB) e Ronaldo Martins (PRB) - ficaram “em cima do muro”, alegando que aguardam andamento do processo para se pronunciarem. Outros três não responderam até o fechamento desta página.

“Não há pé para impeachment. Na verdade, isso seria um golpe”, diz Odorico Monteiro (PT), um dos mais críticos à medida. “Todas as condições de institucionalidade seriam rasgadas, uma vez que não há nenhum crime contra a presidente, apenas setores inconformados com a derrota na eleição passada”, diz.

A posição, repetida pela maioria da bancada, remete ao bom desempenho de Dilma no Ceará na última eleição. No Estado, a petista teve uma de suas maiores vitórias, com 68,3% no 2º turno. “O que tem hoje é um julgamento político, que não traz benefício para a população”, diz Arnon Bezerra (PTB).

Atualmente em análise na Câmara dos Deputados, processo de impeachment contra a presidente precisa de apoio de dois terços dos 512 deputados federais (342 votos) para seguir para o Senado Federal. Até o início deste ano, a base do governo contabilizava apoio de 258 deputados.

Oposição
Genecias Noronha (SD), Moroni (DEM) e Raimundo Gomes de Matos (PSDB), no entanto, discordam dos colegas. “O País não aguenta mais tanto roubo e incompetência. Roubo até aguentaria se tivesse competência, mas os dois juntos ninguém aguenta não”, diz Moroni Torgan.

Eles destacam que a permanência da petista prolongaria crises econômica e política no País. “Nós estamos observando a incapacidade da presidente em retomar a credibilidade e o desenvolvimento do País. Vamos ficar três anos nesse marasmo?”, diz Raimundo Gomes de Matos.

Para indecisos, no entanto, andamento do caso pode alterar bastante a balança final do processo. “À medida em que a cada dia surge novas provas da contaminação de recursos da campanha dela, novos escândalos na Petrobras, tudo muda de intensidade (...) agora, é preciso fazer um inquérito, resguardar os direitos de defesa”, pondera Danilo Forte (PMDB).

Durante toda a semana, a reportagem tentou entrar em contato com os deputados Aníbal Gomes (PMDB), Moses Rodrigues (PPS) e Vitor Valim (PMBD), mas não obteve resposta até o fechamento desta página. (colaborou Wagner Mendes)

NÚMEROS

12
deputados
do Ceará dizem ser contra o impeachment de Dilma Rousseff

3
deputados cearenses afirmam que votariam pelo impeachment da presidente