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Tendência é de que Lula seja preso antes das eleições

    
Lula tem pena ampliada no TRF-4. Os desembargadores seguiram o relator do processo, João Pedro Gebran, e votaram por 12 anos e um mês de regime fechado para o réu.
No entanto, Lula não é preso de imediado, já que o entendimento da Justiça é de que o encarceramento em decisões na segunda instância só deve ocorrer após todos os recursos serem julgados. Contudo, considerando o placar unânime dos magistrados, a tendência é de que o ex-presidente vá cumprir regime fechado até as eleições deste ano. 

O ex-presidente Lula foi condenado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região por unanimidade. Desembargadores seguiram o relator do caso, que mais cedo, nesta quarta-feira, 24, já havia apontado envolvimento do petista com negócios ilegais envolvendo o triplex no Guarujá, no Rio de Janeiro. 

Para Paulsen, o ex-presidente foi beneficiário direto de parte da propina destinado ao PT. Ele também reforçou o posicionamento do desembargador João Pedro Gebran quanto à dosimetria da pena. O relator decidiu aumentar a pena total imposta ao petista pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Em vez de 9 anos e 6 meses, o magistrado pediu, em seu voto, pena de 12 anos e meio de reclusão de regime fechado. 

>> ARTIGO:  Relator do TRF-4 foi mais duro que Moro

O julgamento começou pontualmente às 7h30min (horário de Fortaleza, 8h30min no horário de verão em Porto Alegre) no Tribunal Regional Federal da 4ª região, em Porto Alegra.

O advogado do ex-presidente, Cristiano Martins, defendeu que a defesa de Lula foi prejudicada diversas vezes. "Isso não pode se admitir", disse. Ele afirmou ainda que a acusação tem motivações políticas: "O abuso do direito de acusar não pode ser aceito". Procurador da República da 4ª Região, Mauricio Gotardo Gerum falou por 20 minutos. Ele afirmou que, "lamentavelmente, Lula se corrompeu".  

O desembargador Gebran Neto começa a votar por volta das 9h35min e diz que precisou de 142 dias para preparar seu voto. O relator rejeita os argumentos da defesa e se posicionou a favor da atuação do juiz Sergio Moro. Ele afirmou que houve "tentativa de desqualificar" o trabalho do juiz, a partir de críticas a manifestações de Moro.

Gebran Neto disse ainda que a defesa pediu nulidade do caso por falta de fundamentação, mas rechaçou a preliminar por "não proceder". Às 10h40min, Gebran começou a falar de crimes de corrupção cometidos pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Ele disse que existem notas fiscais e termos de doações feitos por empreiteiras destinados ao PT. Outro exemplo citado foi o caso de Nestor Cerveró, que confirmou ter recenido proprina enquanto estava na diretoria internacional da Petrobrás.

"O conjunto probatório é seguro, afirmativo, sobre provas acima do razoável de que o apartamento tríplex desde o início foi reservado para o sr. Luiz Inácio Lula da Silva e assim permaneceu após a OAS assumir o empreendimento", afirma o juiz João Pedro Gebran Neto, relator no TRF-4. "Também há provas acima de dúvida razoável de que as reformas, compra da cozinha e utensílios foram feitas a favor do ex-presidente". Voto tem mais de 400 páginas.

 O relator afirmou que Lula atuava como "garantidor de um esquema maior" de corrupçao na Petrobras. A expectativa é que ele vote contra o presidente, com possibilidade de ampliação da pena de 9 anos e seis meses por corrupção passiva e lavagem de dinheiro na Operação Lava Jato

Jornal O POVO